Melhores jogos de tabuleiro feitos no Brasil
Quem acompanha o hobby de board games de perto sabe que o Brasil deixou de ser apenas um país que importa e traduz jogos estrangeiros. Hoje existe uma cena própria de designers e editoras nacionais criando títulos com qualidade de produção e mecânicas que competem de igual para igual com lançamentos internacionais.
Esta lista reúne cinco jogos de tabuleiro 100% brasileiros, do conceito ao design, escolhidos por representarem bem a diversidade de temas e estilos que a cena nacional já produz, da estratégia pesada de colonização lunar até cartas rapidíssimas para brincar com a família inteira.
Antes de conhecer os jogos desta lista, vale revisar nosso guia completo sobre os tipos de mecânicas de jogos de tabuleiro.
Por que vale a pena conhecer jogos de tabuleiro brasileiros
Apoiar editoras nacionais vai além de um gesto simbólico. Jogos brasileiros costumam trazer temas que dificilmente apareceriam em um lançamento europeu ou americano, como capoeira no Rio de Janeiro imperial, ficção científica sobre colonizar a Lua ou o dia a dia bem-humorado de cientistas cuidando de mamutes recriados em laboratório, contados a partir de uma perspectiva genuinamente brasileira.
Além disso, comprar título nacional fortalece toda uma cadeia de designers, ilustradores e pequenas editoras que dependem diretamente das vendas para continuar produzindo. Isso não significa abrir mão de qualidade: os jogos desta lista têm componentes, arte e regras no mesmo nível de produções internacionais conhecidas.
Os 5 melhores jogos de tabuleiro feitos no Brasil
Luna Maris — eurogame de ficção científica sobre colonizar a Lua
Jogadores: 1 a 4
Duração: 60 a 120 minutos
Idade recomendada: 14+
Preço médio: R$650 a R$750
Luna Maris é um eurogame de ficção científica criado pelo designer Ricardo Amaral, com arte de Diego Sá, publicado pela MeepleBR. Cada jogador coordena uma equipe de seis pesquisadores responsável por iniciar a colonização da Lua, extraindo recursos naturais para enviar à Terra e, ao mesmo tempo, mantendo e aprimorando as colônias para garantir melhores condições de trabalho.
A mecânica combina gestão de mão, seleção de cartas e sistema de pontos de ação, em partidas que costumam durar entre 60 e 120 minutos dependendo do número de jogadores. O jogo venceu o Prêmio Ludopedia de 2022, a principal premiação da comunidade de board games no Brasil, o que reforça o nível de produção e design por trás do projeto.
Luna Maris é a escolha certa para grupos experientes que querem um eurogame pesado com tema de ficção científica genuinamente nacional.
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Quissama — O Império dos Capoeiras — estratégia ambientada no Rio de Janeiro imperial
Jogadores: 2 a 5
Duração: 30 minutos
Idade recomendada: 12+
Preço médio: R$150 a R$200
Quissama é um jogo de tabuleiro com mecânica europeia ambientado no Rio de Janeiro de 1868, criado por Ricardo Spinelli e publicado pela Ludens Spirit. O jogo é baseado no livro homônimo de Maicon Tenfen, finalista do Prêmio Jabuti, e coloca cada jogador no comando de uma facção de capoeiristas disputando território e influência na cidade.
As partidas são rápidas para o tema histórico que carregam, e os meeples de resina personalizados reforçam a identidade visual do jogo. É uma boa porta de entrada para quem quer conhecer a cena nacional sem se comprometer com uma partida de hora e meia.
Quissama é a peça certa para quem busca um eurogame leve, rápido e com uma das temáticas brasileiras mais originais do mercado.
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Eletrika — construção de redes de energia em formato semi-cooperativo
Jogadores: 2 a 4
Duração: 30 minutos
Idade recomendada: 14+
Preço médio: R$110 a R$140
Eletrika é um jogo de tabuleiro criado pelo designer Lucas Machado Rodrigues e publicado pela MeepleBR em parceria com a Glyptodon Studio. De modo semi-cooperativo, os jogadores constroem uma rede de transmissão de energia elétrica para abastecer as cidades que vão surgindo ao longo da partida, equilibrando colocação de peças, construção de rotas e cumprimento de contratos.
A proposta semi-cooperativa é rara dentro do hobby nacional, já que a maioria dos eurogames brasileiros aposta em competição direta entre os jogadores. Aqui, ainda que cada um jogue para si, é preciso negociar e cooperar com os adversários para manter a rede funcionando, sob pena de todos perderem energia ao mesmo tempo.
Eletrika é a peça certa para grupos que já conhecem eurogames de construção de rotas e querem experimentar uma camada extra de negociação semi-cooperativa.
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Mamutensão — cuidar de mamutes recriados em laboratório, em formato de cartas
Jogadores: 2 a 5
Duração: 50 minutos
Idade recomendada: 8+
Preço médio: R$120 a R$140
Mamutensão é um jogo de cartas criado pelo designer Alexander Francisco e publicado pela Ludens Spirit, lançado em junho de 2024. Cada jogador lidera uma equipe de cientistas responsável por cuidar de mamutes recriados pela engenharia genética, curando enfermidades, resgatando animais que fogem do laboratório e enfrentando outros desafios até conseguir transportá-los para a Sibéria, onde vão repovoar as tundras.
Além do cuidado direto com os mamutes, as equipes podem executar “planos” para atrapalhar os adversários e somar pontos extras, o que cria um equilíbrio leve entre cooperação aparente e sabotagem. As regras são simples e o jogo tem pouco texto nas cartas, o que facilita partidas com jogadores mais jovens.
Mamutensão é a escolha certa para famílias e grupos que querem um jogo de cartas leve, com tema curioso e uma pitada de sabotagem entre amigos.
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Sanduíche — o jogo de cartas rápido criado por uma designer brasileira aos 11 anos
Jogadores: 2 a 6
Duração: até 10 minutos
Idade recomendada: 8+
Preço médio: R$55 a R$70
Sanduíche é um jogo de cartas criado pela designer Verônica Saiki e publicado pela Ludens Spirit, atualmente em sua segunda edição. O desafio é simples: cada jogador tenta montar um sanduíche jogando cartas de ingredientes sem ficar com nenhuma na mão até o final da rodada.
A história por trás do jogo é um dos maiores exemplos de design genuinamente brasileiro nesta lista: Verônica concebeu a brincadeira em 1994, aos 11 anos de idade, usando papel e desenhos feitos à mão, décadas antes de se tornar profissionalmente designer de jogos. Sanduíche foi finalista do Prêmio Ludopedia 2020 e chegou a ser selecionado para a 14ª Bienal Brasileira de Design, em 2024.
Sanduíche é a escolha certa para quem quer um jogo de cartas rapidíssimo, fácil de ensinar e que funciona tanto com crianças quanto com grupos grandes de até seis pessoas.
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Comparativo rápido
Jogo | Idade mín. | Duração | Jogadores | Preço médio |
|---|---|---|---|---|
Luna Maris | 14+ | 60–120 min | 1–4 | R$650–750 |
Quissama — O Império dos Capoeiras | 12+ | 30 min | 2–5 | R$150–200 |
Eletrika | 14+ | 30 min | 2–4 | R$110–140 |
Mamutensão | 8+ | 50 min | 2–5 | R$120–140 |
Sanduíche | 8+ | até 10 min | 2–6 | R$55–70 |
Perguntas frequentes
Jogos de tabuleiro brasileiros têm a mesma qualidade dos importados?
Sim. Títulos como Luna Maris já venceram o Prêmio Ludopedia, a principal premiação da comunidade de board games no Brasil, o que mostra que a produção nacional compete diretamente com lançamentos europeus e americanos.
Qual desses jogos é o melhor para quem nunca jogou nenhum título brasileiro?
Quissama é a opção mais acessível, por ter partidas de apenas 30 minutos e regras mais simples que os jogos mais pesados da lista, como Luna Maris e Eletrika.
Existe algum jogo brasileiro leve para jogar com a família?
Sanduíche é o mais indicado para esse perfil, já que tem regras simples, partidas de poucos minutos e funciona até com seis jogadores ao mesmo tempo, sem o peso estratégico de um eurogame pesado.
Onde encontrar mais jogos de tabuleiro brasileiros além desta lista?
A Ludopedia mantém um catálogo extenso de títulos nacionais, com avaliações da comunidade brasileira, sendo uma boa fonte para descobrir lançamentos menores que não chegam às grandes lojas.
Vale a pena comprar diretamente das editoras nacionais?
Vale, principalmente em campanhas de financiamento coletivo, quando é possível garantir o jogo com preço mais baixo e ainda apoiar diretamente o designer e a pequena editora responsável pela produção.
Conclusão
Luna Maris, Quissama, Eletrika, Mamutensão e Sanduíche mostram que a cena brasileira de board games já produz jogos com qualidade, identidade visual própria e temas que nenhum lançamento estrangeiro conseguiria contar com a mesma autenticidade. Do eurogame pesado de ficção científica ao jogo de cartas rapidíssimo criado por uma designer aos 11 anos, existe espaço nacional para praticamente qualquer perfil de jogador.
Para quem está descobrindo agora esse lado do hobby, vale revisar também por que os jogos de tabuleiro modernos cresceram tanto no Brasil nos últimos anos, já que esse movimento foi o que abriu espaço para editoras nacionais como MeepleBR e Ludens Spirit existirem.
Veja também nosso guia sobre o que são jogos de tabuleiro modernos e por que esse mercado cresceu tanto no Brasil.